Eduardo Galeano • Sangue Latino
Eduardo Galeano • Sangue Latino
O suposto cavaliere, enfim, soltou as frangas. No último domingo (22/5), mal terminara o primeiro turno das eleições para governos municipais italianos quando o primeiro-ministro Silvio Berlusconi dirigiu-se a correligionários e despejou seu ódio. Referindo-se a Milão, onde fez fama e fortuna, previu: em caso de vitória dos adversários, a elegante metrópole do Norte iria converter-se em “uma cidade islâmica, um acampamento de ciganos, cheia de romenos e assediada pelos estrangeiros, aos quais a esquerda tem dado o direito de votar”. O orgulho do premiê fora humilhado. Sua popularidade, abalada pela crise econômica e escândalos sexuais, despencara a 31%, em abril. Nas eleições do fim de semana, seu partido, o “Poppolo della Libertà” (PDL) fora liquidado, já na primeira volta, em cidades importantes, como Bolonha e Turim. Mas o vexame mais arrasador deu-se no próprio reduto de Berlusconi. O advogado Giuliano Pisapia, quase outsider no grande jogo da política institucional – obtivera 48% dos votos, contra 41,6% dados à candidata da direita, Letizia Moratti. Tornara-se favorito para o turno decisivo (marcado para este 29/5). Giuliano, oriundo do Partido da Refundação Comunista (PRC), concorre pela coligação de centro-esquerda. Mas o destempero que pareceu, à primeira vista, fruto de choque emocional do premiê converteu-se, nos dias seguintes, em estratégia. Ao invés de diluir o mal-estar provocado pelo discurso xenófobo, a direita italiana passou a explorá-lo. Em Milão, sua campanha degenerou para uma tentativa de fazer aflorar os recalques dos italianos conservadores contra o outro, na esperançade que uma onda de medo possa reverter a derrota. Talvez não sirva de muito. As eleições italianas mostram uma significativa mudança no ânimo político do país. O prestígio da direita foi abalado tanto pelo escandaloso caso Ruby Gate (em que Berlusconi é acusado de contratar, como prostituta, uma menor) quanto pelas consequências da crise. “A gente não chega ao final do mês e ele [Berlusconi] gasta milhões em sua festa.”, disse um taxista ao diário espanhol El País.Os cartazes de propaganda do PDL passaram a alertar contra a “torrente de ciganos” que supostamente invadiria Milão, em caso de vitória de Pisapia. Afirmou-se que o comunista pretendia transformar a cidade em Zingaropoli, algo como “Ciganópolis”. Atacou-se o discurso tolerante do candidato, que declarou não se opor à construção de uma mesquita no município. Na quarta-feira (25/5), Il Giornale, um diário nacional controlado pela família Berlusconi, “advertiu”: “O Islã marchará sobre a catedral de Milão”, caso a candidata do primeiro-ministro seja derrotada. Além de tirar proveito da nova conjuntura, Giuliano Pisapia soube construir sua candidatura de forma não-tradicional. Não é político de carreira. Filho de um ilustre jurista milanês e advogado penal de projeção, tornou-se deputado em 1996, aos 47 anos. Ao lançar sua candidatura ao governo municipal (em primárias promovidas pelo bloco de centro-esquerda), tinha apenas 4% das intenções de voto. Identificava o ceticismo da população com relação aos políticos. Mas enxergou que havia milhares de pessoas interessados em participar – se encontrasse espaço. Começou a organizar comitês e coordená-los. Baseou seu programa na crítica à privatização dos serviços públicos – inclusive, parques como oConfaloniere. Denunciou que, ao fazê-lo, a direita atentava contra a cultura da cidade e do país. Atribui a sua vitória no primeiro turno ao trabalho nas ruas. Agora quer dar a sua candidatura caráter suprapartidário, envolvendo, além do centro-esquerda, radiciais e velhos socialistas. Além de significar perda do controle sobre governos importantes, o declínio eleitoral de Berlusconi poderá, segundo analistas, coloca em crise a coalizão no poder – que une o PDL à Liga do Norte, mais abertamente xenófoba. Para Franco Pavoncello, professor de Ciências Políticas na universidade John Cabot de Roma: “este resultado surpreendente e negativo iniciará uma crise no governo” Já começam a surgir, na Liga do Norte, questionamentos sobre a validade de continuar ou não a aliança com o primeiro-ministro. Na hipótese de derrota definitiva em Milão, muitos pensam que a Liga poderá abandonar rapidamente o governo, o que poderia desencadear sua queda.
No último sábado (28/5), a localidade milenar de Rafah, no extremo oeste da Faixa de Gaza, voltou a comunicar-se com o mundo. Depois de quatro anos fechada, a passagem de fronteira que leva ao Egito foi reaberta pelo governo militar provisório que ocupou, no Cairo, o lugar do antigo ditador Hosni Mubarak. O bloqueio ocorrera sob pressão de Israel. Em 2007 o Hamas chegou ao poder em Gaza. Telavive usou o fato como pretexto para isolar a região, quase inteiramente circundada por seu território. A única passagem restante, para o Egito, foi bloqueada por Mubarak, forte aliado israelense. A reabertura confirma o novo papel que o Cairo passa a desempenhar em favor da libertação da Palestina. Já em abril, autoridades egípcias haviam jogado papel importante (ver em Outras Palavras) na reconciliação entre Fatah e Hamas, os dois principais grupos políticos palestinos. A fronteira foi reaberta nas mesmas condições vigentes até 2007. A passagem é pertidida das 9h às 21h, exceto às sexta-feira (dia sagrado para os muçulmanos) e feriados nacionais. Mulheres de todas as idades, homens menores de 18 anos ou maiores de 40 anos são isentos de visto, assim como aqueles que irão ao Egito estudar. Somente homens de 18 a 40 anos precisam de visto. A Faixa de Gaza é uma minúscula área, de 360 quilômetros quadrados – pouco mais que a Zona Leste de São Paulo. Em plena era da globalização, seus 1,7 milhão de habitantes estavam, até o sábado, reduzidos a uma economia de auto-suficiência. Bloqueados, não podiam consumir produtos de outras partes do mundo, nem oferecer sua produção. A penúria era agravada pelas agressões militares. Em 2007, por exemplo, uma série de bombardeios deixou boa parte das construções em ruínas, mas o bloqueio impediu o acesso de materiais de construção para reerguê-las. Além das fronteiras, Israel controla as principais rodovias, o porto marítimo, o aeroporto, correio, eletricidade e suprimento de águas … Houve diversas tentativas de romper o cerco. Centenas de túneis clantestinos foram escavados para ligar, com fazendas e casas no lado egípcio, os 13 quilômetros de fronteira. Possuíam em média 25 metros de profundidade e mais de 600 de comprimento. A principal finalidade era entregar dinheiro, bens e alimentos aos palestinos. Contudo, Israel dizia que a intenção dos túneis era prover armamento ao Hamas. Ativistas de outros países enviaram flotilhas com ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Em maio de 2010, a interceptação violenta, por Israel, de barcos provenientes da Turquia, que se encontravam em águas internacionais, provocou a morte de nove ativistas no Mar Mediterrâneo. A Fundação Turca pelos Direitos Humanos e Liberdade e Ajuda Humanitária (İHH), uma das organizações idealizadoras da ação, prometeu mandar uma nova flotilha este ano. Porém, foram as mobilizações egípcias desse ano que chamaram mais atenção. Manifestantes no Cairo protestaram na embaixada israelense contra o acordo do gás feito por Egito-Israel. Uma carreata partiu até Rafah no dia em que se comemora a Nakba – a tragédia que expulsou centenas de milhares de palestinos de suas terras e casas, em 1948. (lerem Outras Palavras). Os manifestantes já exigiram a abertura permanente da fronteira. Estava lançada a semente para a decisão adotada no fim de semana. Para Mustafa Barghouti, ex-candidato Pa presidência da Autoridade Palestina, a reabertura é uma das grandes mudanças provocadas pela revolução no Egito. Ele ressalva o transporte de materiais de construção ainda continua proibido — o que impede, por enquanto, a reconstrução de 25 mil casas, hospitais e mesquitas. Mohammed Awad, ministro de Assuntos exteriores em Gaza, declarou: “aprovamos entusiasticamente a decisão dos irmãos do Egito para facilitar o processo de viagem até o terminal de Rafah. Isso reflete a profunda relação entre nós e Egito e irá contribuir pra facilitar a vida dos palestinos.”
I am not interested in dry economic socialism. We are fighting against misery, but we are also fighting against alienation. One of the fundamental objectives of Marxism is to remove interest, the factor of individual interest, and gain, from people’s psychological motivations. Marx was preoccupied both with economic factors and with their repercussions on the spirit. If communism isn’t interested in this too, it may be a method of distributing goods, but it will never be a revolutionary way of life.

Como não ficar otimista quando a geração ocupa em massa as ruas e as praças da metrópole? Quando pessoas como você e eu concluem para si mesmas que chegou a hora da verdade e, diante dos imperativos de seu tempo, agarram a chance de mudança e decidem não largar mais? Quando se permitem a heresia de contagiar-se pelo entusiasmo febricitante das multidões, além de suas vidinhas formatadas e previsíveis, para vivenciar esses dias de aventura e risco e sorriso, em que se provam os verdadeiros sentimentos de amor e revolução?
Estamos em 2011, ano da revolução global. Adeus à velha política, ao velho estado, à velha esquerda. Chega de repetir um physique du rôle abatido, ascético, pessimista. Tchau tchau para narrativas jeremíadas que tanto nos entediam: não haveria saída do estado de exceção, não haveria modo de libertar-se do sistema capitalista, não haveria mais sentido nas lutas concretas. Bróder, sai dessa bad trip!
Desde 15 de maio, centenas de milhares de jovens, nem-tão-jovens e aposentados, de desempregados, subempregados, precários, estudantes e revoltados em geral, enfim, uma multidão de desejos e amores irrompeu nas ruas e praças na Espanha, para exigir democracia real já! Com epicentro nas praças Portas do Sol (Madrid) e da Catalunha (Barcelona), o tumulto se disseminou em mais de 100 cidades espanholas e já alcança outros países do Velho Mundo.
Repetindo uma tendência histórica do século VIII, — quando os primeiros muçulmanos do norte da África atravessaram o Mar Mediterrâneo, — o ímpeto revolucionário dos árabes inundou a península ibérica. De forma semelhante, a revolução se concretizou com um novo modo de sentir, uma mudança de percepção que circula e faísca irrefreavelmente, agitando uma geração que o espetáculo procura sedar todos os dias. Como nas revoluções árabes,ela se desenrola numa mistura de desobediência civil e passeatas, turbinada pelas novas mídias e redes sociais.
A mobilização na Espanha nos últimos dias repercute o dezembro quente italiano, a marcha dos 400.000 em Londres e as recentes conflagrações na Grécia contra a bancocracia. Não há demandas precisas. Parece que a convergência está num desejo de viver noutro mundo, noutro modo de produzir e relacionar-se. Um que não seja nesse sistema vicioso em que poucos políticos, banqueiros e empresários vampirizam o trabalho vivo dos muitos.
Romantismo antissistema? dissolução das grandes narrativas? demasiado genérico?
Esse desejo central pode parecer vago, mas é nisso mesmo que reside a força das revoluções árabes e da onda européia de protestos. Coalhadas dos grupos e discursos mais diversos, torna-se difícil enquadrar e debelar as manifestações. Quem não lembra a angústia da ditadura egípcia ao não encontrar interlocutores entre os revoltosos na Praça Tahrir? Quando, no auge da insurreição, tentava um meio de negociar uma saída reformista, doando os anéis para manter os dedos? Na ocasião, nenhuma instância de representação emergiu das redes em movimento, e isso garantiu que suas demandas fossem mais longe que os prognósticos mais otimistas (e delirantes).
Na Europa, não há um Mubarak ou um Zine Ben-Ali, algum símbolo claro para canalizar o descontentamento, mas existem a classe política e os bancos. Alvo da maioria dos discursos, os europeus simplesmente querem outra coisa além disso. Eis uma percepção bastante aberta e ampla contra “tudo o que está aí”(como diria Leonel Brizola). O desencanto levou-os a contestar inclusive o processo eleitoral (na Espanha, três partidos dividem entre si o poder do estado, um tipo de comodato ideologicamente pastoso). De que adiantam campanhas onde os partidos e candidatos se limitam a repetir bordões com as palavras cidadania, social, humano etc? ou então promessas genéricas para um grupo, uma região, uma causa? Multiplica-se a impressão que as eleições estão se tornando rituais melancólicos: nos restringimos a escolher quem vai decepcionar nos próximos quatro anos.
Todo esse trabalho da multidão não vem não só como resposta à ainda-mais-uma-crise do capitalismo — que, desde 2008-09, vem impondo medidas de austeridade às políticas públicas. Talvez tenham chegado à conclusão, num raciocínio mais ou menos articulado, mais ou menos consciente, que, no fundo no fundo, não exista uma crise do capitalismo, mas que o capitalismo é a crise, —depende dela e só pode funcionar com ela. Em suma, os pobres pagam o pato e os ricos recebem “ajudas públicas” e é assim mesmo. Enquanto isso, a “culpa” é atribuída ardilosamente ao “custo social” e aos “gastos públicos”, isto é, aos pobres, os que trabalham para que tudo funcione. Essa narrativa enviesada tem servido para fortalecer uma direita chauvinista, ressentida e racista, cada vez mais despudorada na sua agenda excludente, contra imigrantes e precários.
Nesse aspecto, a esquerda da Islândia teve o enorme mérito de ser a primeira a claramente recusar e conseguir vencer as “medidas emergenciais”. Nessas horas, elas costumam aparecer na boca de “especialistas” da tecnocracia dirigente, sendo então divulgadas ad nausea pelos meios de comunicação. Porque, na verdade, essas “soluções de contingência” constituem o cerne do capitalismo atual, onde estado e mercado fazem tabelinha ao redor da insegurança do trabalho. Noutras palavras, privatizam o ganho e socializam a perda, concentram a riqueza e distribuem a pobreza, particularizam a bonança e universalizam a crise.
Basta: quer-se democracia real já, quiçá além do estado e do mercado. Se a luta é contra a corrupção, esta não configura alguma exceção ou acidente a ser corrigidos, em busca de um capitalismo mais sustentável ou humano, mas a regra mesma das dinâmicas de representação e exploração do trabalho. Afinal, o capitalismo consiste na corrupção sistematizada.
Aqui no Brasil, a grande imprensa não divulga as multidões na Europa. Se acaba divulgando, — porque até a imprensa internacional começou a cobri-las e é preciso macaquear,— não vacila em encaixá-las em narrativas comportadas, descontextualizando o movimento, escondendo o seu devir revolucionário, a sua pertinência para todos. Foi assim com a Praça Tahrir, as ocupações de Wisconsin e a rebelião de Jirau, — de que pouco ouvimos falar na TV e jornalões. Pois a grande imprensa sabe que, ao mostrar a verdadeira face da revolução, incentivará as pessoas a tomar as praças daqui.
Podemos aprender com a revolução 2.0 em Roma, Túnis, Tahrir, Atenas e Puertas del Sol, nessa dinâmica expansiva tão contagiante e alegre. Aprender como uma cacofonia dos insatisfeitos, vozes dispersas pelo tecido social, convergem na polifonia das ruas e praças. Fora da lógica da representação, todos e cada um exprimem a potência de quem não se conforma em viver subjugado e improdutivo, sem perspectivas para crescer e desenvolver-se. Diante de um arranjo político surdo e autoritário, e cada vez mais intolerante, não dá pra continuar sentado na p0ltrona ante a TV. É preciso sair de casa e determinar-se a exercer um papel ativo, junto de tantos cidadãos tratados como massa de manobra, como meros eleitores e consumidores. Porque a rua é nossa. É tudo nosso.

O presidente Obama foi ao ar hoje (18/05) para falar sobre as revoltas e os conflitos que se espalham pelo Oriente Médio. A hegemonia dos Estados Unidos sobre está região estratégica e rica em petróleo tem sido o pivô da política externa de Washington por décadas. Utilizando um sistema de poder e de regimes submissos, a par de suas vastas forças militares na região, os Estados Unidos vêm sustentando uma rede de ditaduras brutais e o regime israelense por décadas.
Este sistema de controle imperial vem sendo sacudido por levantes populares que começaram na Tunísia e se espraiaram para o Egito e outros países. Sobre esta conjuntura, a administração Obama se pronunciou hoje na sede do Departamento de Estado como parte de um esforço para reafirmar a liderança norte-americana sobre a região ora em processo de célere mudança.
Valendo-se da retórica de democracia e liberdade para mascarar a responsabilidade do imperialismo norte-americano na duradoura opressão e sofrimento por que passam os povos do Oriente Médio, o discurso do presidente Obama foi uma demonstração de inescrutável hipocrisia.
Hipocrisia: o presidente Obama disse que “o maior recurso não explorado no Oriente Médio e Norte da África é o talento de seus povos”.
Realidade: a estratégia dos Estados Unidos é baseada no controle do mais cobiçado recurso do Oriente Médio: dois terços das reservas mundiais conhecidas de petróleo. O governo de Washington forneceu bilhões de dólares e armou as mais brutais ditaduras do Oriente Médio durante décadas, uma prática a que a administração Obama deu ampla continuidade.
O governo dos Estados Unidos jamais bloqueou ou cortou os fundos destinados à ditadura de Mubarak ainda quando o regime matou mais de 850 pacíficos manifestantes. Mais de 5 mil civis no Egito foram acusados e presos desde 25 de janeiro em julgamentos conduzidos pelos militares egípcios. Os Estados Unidos continuam a enviar maciças somas aos militares egípcios a despeito da contínua repressão contra o povo.
Hipocrisia: O presidente Obama declarou: “a política dos Estados Unidos será de promover reformas em toda a região e de apoiar as transições para a democracia”.
Realidade: Os únicos governos do Oriente Médio que foram objeto de invasão, sanções econômicas e derrubadas pelo governo dos Estados Unidos foram aqueles que seguem políticas independentes do controle, político, militar e econômico dos Estados Unidos.
Washington jamais impôs sanções econômicas à ditadura de Mubarak e somente se manifestou publicamente contra Mubarak quando a maré da revolução tornou-se irresistível. Do mesmo modo, os Estados Unidos apoiam a brutal monarquia da Arábia Saudita.
Hipocrisia: o presidente Obama advoga para os povos do Oriente Médio os “direitos fundamentais de expressar seu pensamento e ter acesso às informações”, afirmando que, “a verdade não pode ser escondida e a legitimidade dos governos vai depender em última instância de cidadãos ativos e bem informados”.
Realidade: a administração Obama exorbitou ao punir aqueles que queriam informar o público ao jogar luz sobre as atividades do governo norte-americano. Bradley Manning permanece em prisão sob ameaça de prisão perpétua, sendo mantido em brutais condições que levaram o Relator Especial sobre Tortura das Nações Unidas a buscar investigação.
O Departamento de Justiça está trabalhando à máxima velocidade para processar Julian Assange, do Wikileaks, por abrir documentos governamentais ao público, muitos dos quais expõem o papel dos Estados Unidos no Oriente Médio.
O governo Obama leva a cabo uma grande campanha, mais agressiva do que qualquer governo anterior, a fim de processar criminalmente informantes que exponham a verdade sobre ações governamentais ilegais.
Hipocrisia: o presidente Obama declarou: “Os Estados Unidos se opõem ao uso da violência e da repressão contra o povo da região.”
Realidade: Os Estados Unidos sob Obama estão envolvidos na invasão, ocupação e bombardeio ao mesmo tempo de quarto países predominantemente muçulmanos: Iraque, Afeganistão, Líbia e Paquistão. Além do mais, o chefe de Estado, isoladamente o maior violador dos direitos humanos fundamentais e perpetuador da violência na região, é George W. Bush, cuja invasão ilegal do Iraque custou a vida de mais de um milhão de pessoas.
A invasão de 19 de março de 2003 foi uma guerra de agressão contra um país que não constituía nenhuma ameaça aos Estados Unidos ou ao povo dos Estados Unidos. A invasão e ocupação do Iraque levaram à morte de mais árabes do que os que foram mortos por todas as ditaduras da região somadas. O presidente Obama chamou Osama Bin Laden de assassino em massa.
O 11 de setembro de 2001 foi de fato um repugnante crime que tirou a vida de milhares de trabalhadores inocentes, mas medindo-se na ordem de magnitude de vítimas fatais, o crime de assassinato em massa no Iraque não tem comparação. George W. Bush não só não foi preso por assassinato em massa do povo iraquiano como é tratado com honras pela administração Obama.
Hipocrisia: Numa tentativa de apaziguar a opinião pública árabe, o discurso do presidente Obama dá a impressão que os Estados Unidos insistem com o retorno de Israel às fronteiras anteriores a 1967. Obama afirmou “precisamente devido à nossa amizade, é importante que eu diga a verdade: o status quo é insustentável e Israel também deve agir corajosamente em direção a uma paz duradoura”.
Realidade: A guerra de Israel contra o povo palestino seria impossível sem o apoio dos Estados Unidos, que segue constante. O maior destinatário individual da ajuda externa dos Estados Unidos é o Estado de Israel, que usa os 3 bilhões de dólares de receita anualmente para manter o sítio ao povo de Gaza, continuar a ocupação ilegal da Cisjordânia e evitar o retorno das famílias de 750 mil palestinos que foram expulsos de suas casas e aldeias da Palestina histórica em 1948.
As Nações Unidas, em várias resoluções, condenaram a invasão e ocupação israelense em 1967 de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas de Golã da Síria. Longe de impor sanções econômicas, o presidente Obama prometeu a Israel um mínimo de 30 bilhões de dólares em ajuda militar para os próximos 10 anos, funcionando, portanto, como um parceiro da ocupação.
O discurso de Obama deixou claro também que os Estados Unidos apoiariam Israel na retenção de vastas faixas da Cisjordânia. Isto é o que ele quis dizer ao se referir a “permuta de terras”. Nos próximos dias, Obama manterá encontros privados com Benjamin Netanyahu e será o orador principal da conferência do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee). Com certeza, irá reforçar os fortes vínculos militares com Israel e a ajuda financeira.
Hipocrisia: o presidente Obama declarou: “Nós apoiamos um conjunto de direitos universais. Esses direitos incluem liberdade de expressão; liberdade de reuniões pacíficas; liberdade de religião; igualdade entre homem e mulher sob o império da lei e liberdade para escolher seus próprios líderes – onde quer que você viva em Bagdá ou Damasco, Sanaa ou Teerã … Continuaremos a insistir que esses direitos universais se apliquem tanto às mulheres quanto aos homens.”
Realidade: Enquanto o governo dos Estados Unidos, junto com a Inglaterra e a França, os antigos colonizadores do Oriente Médio e da África, bombardeavam a Líbia com mísseis e bombas de última geração em nome da “proteção aos civis” e da “promoção da democracia”, o governo Obama apresentava a mais morna crítica à monarquia do Bahrein quando esta e a monarquia saudita matavam e prendiam manifestantes pacíficos no Bahrein.
Nenhuma sanção foi imposta ao Bahrein ou Arábia Saudita. A monarquia saudita é a suprema negação de democracia, privando as mulheres de todos os direitos, privando os trabalhadores de formar sindicatos e privando todos os setores da população de qualquer direito de livre manifestação, reunião ou imprensa. Nunca houve eleição na Arábia Saudita.
Porém as funções da monarquia saudita como cliente e submissa dos Estados Unidos não fazem dela objeto de sanções econômicas ou “mudança de regime” como o são os governos da Síria e da Líbia. A monarquia do Bahrein igualmente funciona como cliente dos Estados Unidos e permite que a 5ª Frota utilize o Bahrein como base naval. Eis o motivo porque Washington refere-se à monarquia como “um parceiro de longa data”.
Hipocrisia: O presidente Obama denunciou o governo do Irã, afirmando que “iremos continuar a insistir que o povo iraniano merece ter direitos universais” e condenou o que ele chamou de “programa nuclear ilícito” do Irã.
Realidade: Ele deixou de mencionar que foi a CIA junto com o serviço secreto britânico, que orquestrou a derrubada do governo democrático do Irã em 1953 e reinstalou a monarquia do xá. Eles derrocaram a democracia iraniana quando o Irã nacionalizou seu petróleo da AIOC/British Petroleum. Os Estados Unidos só romperam relações com o governo iraniano quando a ditadura do xá foi derrocada por uma revolução nacional popular.
Com relação às armas nucleares, o governo de Israel recusou-se a assinar o tratado de não-proliferação nuclear e acumulou 200 “ilícitas” armas nucleares. É claro, os Estados Unidos têm milhares de armas nucleares e permanece sendo o único país a ter usado armas nucleares, destruindo Hiroshima e Nagasaki em 1945.
Hipocrisia: o presidente Obama diz ao mundo que os Estados Unidos partilham dos objetivos da revolução árabe, que “a repressão irá fracassar, que as tiranias irão cair, e que todo homem e mulher são dotados de certos direitos inalienáveis.”
Realidade: O governo dos Estados Unidos, seja ele comandado pelos republicanos ou democratas, vê o Oriente Médio, rico em petróleo, pelas lentes do império. Operando por meio de uma rede de regimes amigos que inclui Israel, Arábia Saudita, Jordânia, a ditadura de Mubarak no Egito, o xá do Irã até sua deposição em 1979 e outros regimes da região, suplementado por dezenas de milhares de tropas norte-americanas posicionadas em bases de toda a região, e por porta-aviões, os Estados Unidos almejam dominar e controlar a região responsável por dois terços das reservas mundiais de petróleo conhecidas.
Mantém e continua a financiar uma rede de ditaduras submissas brutais, financia a máquina de guerra israelense e leva a efeito repetidas invasões, bombardeios e ocupações contra os povos da região.

Outra Intifada é possível
Começam no mundo árabe manifestações e marchas que exigem independência palestina e retorno dos refugiados. Dia-chave é próximo domingo .
A chama foi acesa, mais uma vez, na Praça Tahir, Cairo. Nesta sexta-feira (13/5), dezenas de milhares de pessoas voltaram a se reunir (foto) no ponto-chave onde se articulou a derrubada da ditadura egípcia. Tinham outras reivindicações. Queriam condenar as disputas entre seitas muçulmanas e cristãs, que provocaram dez mortes em seu país, há semanas. Mas estavam, mais que tudo, deflagrando a série de manifestações que voltará a exigir, a partir do dia 15, a libertação da Palestina.
O exemplo egípcio repercutiu em Aman, capital da Jordânia, onde centenas de populares tomaram as ruas do centro, contra a ocupação israelense. E, apesar das medidas de segurança adotadas por Telavive, emergiram em Jerusalém. Centenas de milhares de mensagens escritas inundaram os telefones celulares. Houve ligeiros confrontos com a polícia. Em refereência às duas ondas anteriores de protesto contra a ocupação , há quem espere o início, no domingo, de uma terceira Intifada ? Agora impulsionada pela primavera árabe e pelo acordo de unidade entre Fatah e Hamas.
A mobilização de 15/5 está sendo convocada há dois meses, quando redes de jovens organizaram, em várias cidades palestinas, manifestações pela unidade nacional e independência. Espalhou-se pelas redes sociais, apesar da censura praticada pelo Facebook (que tirou do ar um grupo de 300 mil pessoas). Rememora um fato simbólico: a triste data da Nakba (catástrofe) ? a expulsão de 711 mil palestinos de seu país e suas terras, em 1948.
Relembrada todos os anos, a data despertou agora solidariedade ativa em todo o mundo árabe. No Egito, o sentimento é ainda mais intenso. Além da revolução em curso, o país mantém fronteira com a faixa Gaza, um dos fragmentos em que foram confinados os palestinos (o mapa abaixo mostra como as fronteiras definidas pela ONU em 1947 foram deslocadas por Israel, em 1948). Para a data da Nakba, os egípcios querem organizar uma ação ousada.

À esquerda (em cinza), o território palestino definido pela ONU em 1947. À direita (em marrom), após a guerra de 1948. A Faixa de Gaza é a minúscula área a nordeste do Egito
No sábado (14/5) sairá da Praça Tahir, às nove da manhã, um comboio de carros e ônibus. Passarão por Suez, onde encontrarão mais manifestantes. Chegarão à noite em Rafah, na fronteira com o território palestino, para uma grande manifestação. Na manhã seguinte (15/5), almejam entrar nos territórios palestinos para mais manifestações. Outras caravanas, vindas de Alexandria, Damietta, Sinai do Norte, Garbia, Beni Suef, Assiut, Qina e Sohag são esperadas. A coalizão que promove as jornadas também quer a libertação dos presos políticos palestinos no Egito; a reabertura permanente da fronteira de Rafah; a retomada de relações comerciais entre seu país a Faixa de Gaza; e o cancelamento da oferta de gás a Israel, a preços muito aviltados.
Os organizadores querem que todos os atos sejam pacíficos. Têm em mente a Assembleia Geral da ONU, que poderá votar, em setembro, o reconhecimento internacional de um Estado palestino. Mas a própria Nakba evoca outra reivindicação, novamente suscitada: o direito dos exilados palestinos retornarem à sua pátria.
Manifestações de solidariedade à independência palestina estão previstas em outras partes do mundo. Além disso, uma reunião internacional em Paris decidiu, há dias, organizar uma nova flotilha de barcos para Gaza. Desta vez, quinze barcos, com 1,5 mil pessoas de múltiplas nacionalidades a bordo (e repletos de ajuda humanitária), zarparão da Turquia na terceira semana de junho.
FONTE: http://www.outraspalavras.net/2011/05/13/outra-intifada-e-possivel/

Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria?
O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente, Cuba seria retaliada e, com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo o mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.
Mas, como foram os Estados Unidos que entraram no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.
Agora imaginem mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar.
Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.
E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.
O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo o mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.
Olha, eu sei lá, mas o que vi na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que impera o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império.
Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do faroeste, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!
1) Vietnã (1964-1975)
Mentira midiática: Nos dias 2 e 3 de agosto o Vietnã do Norte teria atacado dois barcos dos Estados Unidos na baía de Tonkin.
O que se saberá mais tarde: Esse ataque não aconteceu. Foi uma invenção da Casa Branca.
Verdadeiro objetivo: Impedir a independência de Vietnã e manter o domínio dos Estados Unidos na região
Conseqüências: Milhões de vítimas, malformações genéticas (agente laranja), enormes problemas sociais.
2) Granada (1983)
Mentira midiática:: A pequena ilha do Caribe foi acusada de que nela se construía uma base militar soviética e de trazer perigo à vida de médicos americanos.
O que se saberá mais tarde: Absolutamente falso. O Presidente Reagan inventou esses pretextos.
Verdadeiro objetivo: Impedir as reformas sociais e democráticas do premiê Bishop (depois assassinado)
Conseqüências: Brutal repressão e restabelecimento da tutela de Washington.
3) Panamá (1989)
Mentira midiática: A invasão tinha o objetivo de prender o presidente Noriega por tráfico de drogas.
O que se saberá mais tarde: Formado pela CIA o presidente Noriega reclamava a soberania ao fim do acordo do canal, o que era intolerável para os Estados Unidos.
Verdadeiro objetivo: Manter o controle dos Estados Unidos sobre essa estratégica via de comunicação.
Conseqüências: Os bombardeios dos Estados Unidos mataram entre 2 e 4 mil civis, ignorados pelos meios.
4) Iraque (1991)
Mentira midiática: Os iraquianos teriam destruído parte da maternidade da cidade de Kuwait.
O que se saberá mais tarde: Invenção total da agência publicitária Hill e Knowlton, paga pelo emir de Kuwait.
Verdadeiro objetivo: Impedir que o Oriente Médio resista a Israel e se comporte com independência em relação aos Estados Unidos.
Conseqüências: Inumeráveis vítimas da guerra, depois um longo embargo, inclusive de medicamentos.
5) Somália (1993)
Mentira midiática: O senhor Kouchner aparece na cena como herói de uma intervenção humanitária.
O que se saberá mais tarde: Quatro sociedades americanas tinham comprado uma quarta parte do subsolo somali, rico em petróleo.
Verdadeiro objetivo: Controlar uma região militarmente estratégica.
Conseqüências: Não conseguindo controlar a região os Estados Unidos a manterão num prolongado caos.
6) Bósnia (1992-1995)
Mentira midiática: A empresa americana Ruder Finn e Bernard Kouchner divulga a existência de campos de extermínio sérvios.
O que se saberá mais tarde: Ruder Finn e Kouchner mentiram. Eram apenas campos de prisioneiros. O presidente muçulmano Izetbegovic o admitiu.
Verdadeiro objetivo: Quebrar uma Iugoslávia demasiado esquerdista, eliminar seu sistema social, submeter a zona às multinacionais, controlar o Danúbio e as estratégicas rotas dos Bálcãs.
Conseqüências: Quatro atrozes anos de guerra para todas as nacionalidades (muçulmanos, sérvios, croatas). Provocada por Berlin, prolongada por Washington.
7) Iugoslávia (1999)
Mentira midiática: Os sérvios cometem um genocídio contra os albaneses do Kosovo.
O que se saberá mais tarde: Pura e simples invenção da OTAN como o reconheceu Jaime Shea, seu porta-voz oficial.
Verdadeiro objetivo: Impor o domínio da OTAN nos Bálcãs e sua transformação em polícia do mundo. Instalar uma base militar americana no Kosovo.
Conseqüências: Duas mil vítimas dos bombardeios da OTAN. Limpeza étnica de Kosovo pelo UCK, protegido pela OTAN.
8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.
9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.
10) Venezuela – Equador (2008?)
Mentira midiática: Chávez apoiaria o terrorismo, importaria armas, seria um ditador (depois do golpe fracassado, a razão definitiva ficou meio vaga).
Verdadeiro objetivo: As multinacionais querem seguir com o controle petroleiro e de outras riquezas de toda América Latina, temem a libertação social e democrática do continente.
Conseqüências: Washington empreende uma guerra global contra o continente: golpes de estado, sabotagens econômicas, chantagens, estabelecimento de bases militares próximas às riquezas naturais.
Fonte - Blog do Mello blogdomello.blogspot.com
O dia que durou 21 Anos
Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período, a partir da nova série “O Dia que durou 21 anos”,Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.
A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy, Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.